Dimmy Kieer volta a Brasília e mostra o verdadeiro Dicesar

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Se o Big Brother Brasil 10 queria celebrar a diversidade de gêneros, era inevitável a presença de uma drag queen na casa. E a escolha foi certeira. Com quase duas décadas se apresentando pelo Brasil, Dimmy Kieer foi selecionada para entrar no reality show. Mas, diferente do que todos imaginavam, quem entrou na casa não foi a “drag vermelha”, mas sim Dicesar. E muita coisa aconteceu a partir daí. Antes de subir ao palco da Let’s Club, na sexta-feira 21, conversamos com a “dlag” mais conhecida do Brasil e alguns desses acontecimentos foram revelados.

Antes do Dicesar se descobrir como drag queen, ele se descobriu gay. Como aconteceu essa descoberta?

De 14 para 15 anos, eu tinha muitos amigos cabeleireiros e maquiadores que faziam aula de dança na minha cidade, em Londrina. Daí eu entrei para uma aula de dança escondido. Falei para minha mãe que ia fazer natação e fui fazer balé. Acabei ficando amigo de um monte de meninos que eram como eu, e descobri que eu não era o único do bairro. Havia uns 20 gays na minha cidade. Depois eu comecei a fazer teatro e nós não desgrudamos mais. Eles começaram a vir para São Paulo. Com 18 para 19 anos eu também vim para a cidade e caí na noite de uma vez.


E quando o Dicesar descobriu que queria ser drag queen?


Quando eu cheguei em São Paulo, tinha amigos cabeleireiros que se maquiavam para ir à festas. E eu comecei a maquiar os meus amigos. Daí virei maquiador e, quando eu menos imaginei, virei drag. Como eu sou do Paraná, a gente tem uma mania de cumprimentar todo mundo e falar com todo mundo. Então eu me maquiei e fiquei na porta da boate fervendo com todo mundo e a dona da boate já me contratou para ficar na portaria. Imagina, há 19 anos nascia a primeira drag queen hostess na noite de São Paulo.

Você disse em entrevista que a geração do Serginho era bem diferente da sua. Como era gay na sua época?

Eu não saia para as ruas maquiado. Eu ia com uma mochilinha nas costas, pegava o ônibus, descia na porta da boate. Eu me trocava no camarim e, quando acabava o show, tirava a maquiagem. Sempre me vesti da forma mais discreta possível.

Todo mundo conhecia a Dimmy Kieer e você entrou no Big Brother como Dicesar. Não teve medo das pessoas te conhecerem de verdade?

Não porque eu tenho amigos e família que gostam do Dicesar. Eu me dou bem com meus amigos, com meus vizinhos, com minha família como Dicesar. O meu prédio tem seis andares e moram 16 “crentes” (sic), e todos eles me cumprimentam. Eu não vou botar a mão no bolso e ficar me segurando para não mostrar o que eu sou. Eu sou do jeito que eu sou. Não tive medo de mostrar que, depois dos 30 anos, dei uma engordada e que, depois dos 40, o cabelo começou a cair. Ralei 20 anos para conseguir reconhecimento, essa era minha oportunidade. Se eu não entrasse outra drag entraria.

Se ao invés do Dicesar chamassem a Dimmy Kieer para entrar no Big Brother, você toparia o desafio?

Eu adoraria. Por que as pessoas veriam como eu cuido do meu cabelo, como eu trato minhas roupas, como eu cuido das minhas coisas... Seria totalmente diferente. Não sei se ganharia. Pra mim, esse Big Brother ainda é uma incógnita.

O Serginho tem quadro fixo no Zorra Total. Você aceitaria fazer algo parecido?

Posso ser sincero? Não! Quando fui chamado uma vez, eu gravei de homem e de drag queen. A produção foi muito áspera e foi muito difícil. O Serginho não precisou se montar de drag. Eu tive e eles foram muitos frios comigo. Eu não tive interesse nenhum. Até hoje eu não fui lá receber o dinheiro.


Do final dos anos 90, quando as drag queen estavam no auge, alguém sobreviveu além de você?


Sobreviveram eu, Dolly & Dolly e Lyza Bombom. Nós nascemos nessa época. Só que Lyza Bombom não era drag bate-cabelo, era uma drag queen psicodélica. E ela foi se adaptando. Eu nunca gostei de bater cabelo. Gosto de pegar o microfone e animar o público. Eu prefiro muito mais ficar lá na porta cumprimentando até as baratas do que subir no palco e dublar uma música. Acho tão sem graça. Faço por obrigação, porque as pessoas querem ver você atuando. Eu prefiro fazer teatro do que ficar abrindo e fechando a boca interpretando uma música. Ás vezes o “veado” (sic) nem sabe o que a letra está falando.

Há seis anos, em entrevista ao ParouTudo você disse que não era gostava de “fazer Jardins (bairros ricos de São Paulo)”, que preferia interior. Mas hoje você faz show nos lugares mais badalados de São Paulo. Como está sendo esse momento para você?

As pessoas querem ver a Dimmy Kieer, o Dicesar que participou do Big Brother. Meu público alvo é o popular. É o popular que me dá dinheiro. É muito bom estar no status do Jardins, chiquérrimo. Mas prefiro muito mais fazer shows na Blue Space e na Danger por exemplo.

Poucas pessoas sabem, mas você trabalha há muito tempo como militante das causas LGBT. Incomoda a você não te associarem à luta?

Antes do BBB, eu dei uma entrevista e disse: “Infelizmente as pessoas ainda tem vergonha de ser gays, mas eles vão para a parada como se fosse uma micareta gay, como se fosse um grande circo, um carnaval fora de época”. Eu disse que isso é um pensamento. Saiu assim: “Dimmy Kieer afirma que Parada Gay é um carnaval fora de época”. O Xandi, da Parada Gay de São Paulo, nem me quis para nada porque disse que não sou militante. Eu passei seis anos sem ganhar um centavo da produção. Eu me maquiava às 10h da manhã e saia entregando panfleto da Parada por onde eu passava.

Mesmo assim você vai participar da Parada Gay deste ano?


Graças a Deus fui convidado pelo site Disponível. Mas fiquei muito chateado por a Associação da Parada Gay ler a matéria de qualquer jeito e falar que eu disse aquilo. Existia um contexto na entrevista. Há 18 anos, quem falava de Parada Gay era uma piada. Hoje em dia é uma realidade. Estamos conseguindo muita coisa. Eu, Angélica e Serginho invadimos três meses a casa do brasileiro. As pessoas foram se adaptando e se identificando com cada um.

Como você imagina seus próximos 18 anos de carreira?

Eu me imagino em uma cadeira de balanço em uma chácara. Balançando, rindo com meus sobrinhos, com minha família e amigos. E um monte de galinha, vaca e cadela com nome de drags. (risos)

Mas e o coração? Apareceram muitos homens na sua vida depois do Big Brother?

Virou uma febre. Apareceu tanto homem na minha vida, mas eu tenho um único. Ele até apareceu em uma matéria no site Ego. Ele admira o show da Dimmy, mas ele gosta mesmo do Dicesar.


Você ganhou mais notoriedade com a participação no programa. Em médio prazo, o que você pretende fazer para usufruir de todo esse sucesso?


O Dicesar está voltando à carreira de maquiador. Vou assinar com uma empresa para lançar uma linha de maquiagem de “drag show”. Maquiagem para cinema e teatro. Uma maquiagem focada para quem faz show. Bem colorida. No total, serão 10 produtos. E tem o Senac. Fui aluno há 20 anos e tenho muito orgulho de saber que vou rodar o Brasil dando aula de maquiagem.

Você acha que a cultura drag está morrendo?


Não. Enquanto existir 25 de março, purpurina e glitter vai existir drag queen.

Clique aqui para ler a entrevista no site Parou Tudo: Dimmy Kieer volta a Brasília e mostra o verdadeiro Dicesar

5 comentários :

  • Li disse...

    Nossa adorei a entrevista,li tudinho !Vc é mt especial Di,adorei a ultima pergunta :

    Você acha que a cultura drag está morrendo?


    Não. Enquanto existir 25 de março, purpurina e glitter vai existir drag queen.

    rsrsrs...
    big beijinhos;*

  • TUKA (Mara). disse...

    Linda entrevista Di. Quanta luta em? Te adimiro muito. Desde o primeiro mes de BBB voce foi meu preferido, um dia procurando blogs que te apoiavam encontrei o cartas e o ambulatoriotv. Conheci ambos no dia do paredão do Michel e da Maroca. E nunca mais sai de lá. Obrigada Di, por esse carinho enorme que voce tem com seu publico, obrigada por tanta simplicidade que voce trata as pessoas Obrigada por esse coração ENOORME que voce tem, obrigada por ser esse filho maravilhoso que voce é, obrigada pelo tiu que voce é as suas sobrinhas, porque voce sendo assim, voce passa esses sentimentos para as pessoas, e isso ajuda melhorar um país que é tão violento e preconceituoso. Sou a Tuka, sempre que posso te deixo recadinhos. Espero que voce tenha tempo e consiga ler. Um grande beijo. Mara (TUKA).

  • Evy disse...

    O Di é o máximo...li essa entrevista, mais imaginava ele falando. Muito legal. Amei conhecer o Dicesar. O carinho dele como Dimmy é o máximo, mais o Dicesar me conquistou mais ainda.

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